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Algumas formas de usar ferramentas do Google Workspace para desenvolver habilidades da BNCC da Computação em diferentes disciplinas
Outro dia, em uma aula de matemática do Ensino Médio, propus uma pergunta simples para a turma: quanto tempo passamos por dia conectados à internet?
A ideia era apenas iniciar uma conversa sobre hábitos digitais, mas a atividade acabou tomando outro rumo. Os próprios estudantes criaram um formulário para coletar informações da turma. Em poucos minutos já tínhamos dados sobre tempo de uso de redes sociais, aplicativos mais utilizados e alguns hábitos digitais do dia a dia.
Depois organizamos essas informações em uma planilha e geramos alguns gráficos. A partir daí começaram as discussões: qual aplicativo aparece mais? Quanto tempo, em média, passamos conectados? Esses números nos surpreendem?
Além de trabalhar matemática, percebi que os estudantes estavam analisando dados do próprio cotidiano digital. Sem que a atividade tivesse sido planejada inicialmente com esse objetivo, ela também dialogava com habilidades da BNCC da Computação.
Essa experiência reforçou algo importante: muitas vezes não é necessário criar atividades totalmente novas. Basta explorar melhor ferramentas que já fazem parte da rotina escolar.
A partir dessa experiência, comecei a explorar outras possibilidades com ferramentas do Google Workspace, buscando intencionalmente desenvolver habilidades da BNCC da Computação em diferentes disciplinas.
📍Google Forms: trabalhando decisões e raciocínio lógico
O Google Forms costuma ser usado para avaliações ou pesquisas. Mas ele também pode ajudar a desenvolver raciocínio lógico.
Um recurso interessante é a ramificação de respostas. Dependendo da alternativa escolhida, o estudante é direcionado para outra parte do formulário.
Como isso pode aparecer na aula
Em uma atividade de matemática, o professor pode montar um desafio de resolução de problemas. Quando o estudante erra a primeira tentativa, o formulário o direciona para uma página com uma dica ou uma explicação antes de tentar novamente.
Nesse formato, a atividade passa a funcionar como um pequeno percurso de aprendizagem.
O estudante percebe que cada decisão leva a um caminho diferente dentro da atividade.
Com essa organização, os alunos começam a compreender, na prática, a lógica de sequências e decisões, presente no pensamento computacional.
Habilidade da BNCC da Computação: EF05CO04 — Criar e simular algoritmos representados em linguagem oral, escrita ou pictográfica, que incluam sequências, repetições e seleções condicionais para resolver problemas de forma independente e em colaboração.
📍Google Sheets: analisando dados
Outra ferramenta muito útil em sala de aula é o Google Sheets. Com ele é possível organizar informações em tabelas e gerar gráficos rapidamente.
Exemplo de aplicação
Em uma aula de matemática ou geografia, os estudantes podem investigar hábitos digitais da turma. Depois de coletar os dados, organizam as informações em uma planilha e criam gráficos para visualizar os resultados.
A partir daí surgem discussões importantes:
- quais valores aparecem com mais frequência?
- quais padrões podem ser identificados?
- que conclusões podem ser tiradas a partir dos dados?
Além do conteúdo da disciplina, os estudantes se aproximam de práticas de análise de dados presentes em diferentes áreas do conhecimento.
Habilidade da BNCC da Computação: EM13CO12 — Produzir, analisar, gerir e compartilhar informações a partir de dados, utilizando princípios de ciência de dados.
📍Google Docs: produção colaborativa
O Google Docs abre boas possibilidades para atividades de produção coletiva.
Como vários estudantes podem editar o mesmo documento ao mesmo tempo, o processo de escrita passa a acontecer de forma colaborativa.
Uma possibilidade em sala
Em um projeto interdisciplinar, a turma pode produzir um pequeno guia sobre cidadania digital. Cada grupo escreve uma parte do conteúdo e os colegas utilizam comentários para revisar o texto e sugerir melhorias.
Além da escrita, os estudantes também discutem a confiabilidade das informações utilizadas e refletem sobre autoria e responsabilidade no ambiente digital.
Nesse processo, os estudantes experimentam novas formas de autoria e percebem que o conhecimento pode ser construído coletivamente.
Habilidade da BNCC da Computação: EM13CO14 — Avaliar a confiabilidade das informações encontradas em meio digital, investigando seus modos de construção e considerando a autoria, a estrutura e o propósito da mensagem.
📍Google Slides: organizando processos
O Google Slides também pode ser utilizado para representar processos em etapas.
Exemplo em Ciências
Os estudantes podem criar uma apresentação explicando o ciclo da água ou o processo de fotossíntese. Cada slide representa uma etapa do processo e, ao organizar essa sequência, os alunos precisam pensar na lógica que conecta cada fase.
Nesse contexto, o processo passa a ser organizado como um algoritmo visual.
Essa organização passo a passo ajuda a tornar conteúdos complexos mais compreensíveis e contribui para o desenvolvimento do pensamento computacional.
Habilidade da BNCC da Computação: EF04CO03 — Criar e simular algoritmos representados em linguagem oral, escrita ou pictográfica, que incluam sequências e repetições simples e aninhadas (iterações definidas e indefinidas), para resolver problemas de forma independente e em colaboração.
📍Google Classroom: organizando trilhas de aprendizagem
O Google Classroom pode ser utilizado para organizar atividades de forma mais estruturada.
Em vez de postar tarefas isoladas, o professor pode criar pequenos percursos de aprendizagem.
Um exemplo seria desenvolver uma sequência sobre cultura digital que envolva:
- investigação sobre segurança na internet;
- análise de dados sobre uso de redes sociais;
- produção de um guia de boas práticas digitais.
Ao longo desse percurso, os estudantes também refletem sobre como utilizam as tecnologias no estudo e no cotidiano.
Essa organização ajuda os estudantes a compreender melhor os impactos das tecnologias digitais em seu cotidiano.
Habilidade da BNCC da Computação: EM13CO15 — Analisar a interação entre usuários e artefatos computacionais, abordando aspectos da experiência do usuário e promovendo reflexão sobre a qualidade do uso dos artefatos nas esferas do trabalho, do lazer e do estudo.
Explorando inteligência artificial e pensamento crítico
Ferramentas de inteligência artificial também podem ser exploradas em sala de aula como objeto de reflexão.
No Google Workspace, recursos como o Gemini permitem iniciar discussões interessantes. Os estudantes podem pedir à ferramenta uma explicação sobre determinado conceito e, depois, analisar criticamente a resposta.
A turma pode discutir se a explicação faz sentido, se existem simplificações ou possíveis erros e quais outras fontes podem ser utilizadas para verificar as informações.
Nesse contexto, a inteligência artificial deixa de ser apenas uma ferramenta e passa a ser também objeto de análise crítica.
Esse tipo de atividade ajuda a desenvolver uma postura crítica diante das tecnologias digitais.
Habilidade da BNCC da Computação: EM13CO10 — Conhecer os fundamentos da Inteligência Artificial, comparando-a com a inteligência humana, analisando suas potencialidades, riscos e limites.
Integrando tecnologia ao currículo
A implementação da BNCC da Computação ainda está em construção em muitas escolas. Nesse processo, pequenas experiências em sala de aula já fazem diferença.
Ferramentas como Google Docs, Sheets, Forms, Slides e Classroom permitem criar situações em que os estudantes investigam problemas, analisam dados, colaboram com colegas e refletem sobre o uso das tecnologias.
Quando isso acontece, a tecnologia deixa de ser apenas um recurso de apoio e passa a fazer parte do próprio processo de aprendizagem.
Tenho aprendido que pequenas mudanças já fazem diferença na forma como os estudantes aprendem.
Se você já utiliza o Google Workspace em suas aulas, fica o convite: experimente, adapte e compartilhe suas experiências com outros educadores.
🤝É na troca que a prática se fortalece.

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